DuhigÓ
A Cariboa, em colaboração com a Manaus Amazônia Galeria de Arte, celebra a chegada de três gravuras da artista Duhigó ao seu acervo em Lisboa, Portugal. Esta parceria nasce de uma visão compartilhada: a urgência de expandir a voz e o olhar da primeira artista profissional da etnia Tukano no território europeu. Duhigó é uma figura central na arte contemporânea indígena do Brasil. Suas obras, que já integram acervos de instituições prestigiadas como o MASP e a Pinacoteca de São Paulo, e que marcam presença na Bienal de Veneza 2024, chegam agora a Portugal como mensageiras de uma sabedoria milenar.Nas gravuras disponíveis em Lisboa, Duhigó traduz a cosmovisão do Alto Rio Negro — as cores da floresta, símbolos de rituais sagrados e o cotidiano das "nações" amazônicas. Mais do que objetos artísticos, estas peças são pontes de diálogo entre continentes, trazendo para o solo europeu a força da resistência e a beleza da memória afetiva indígena.
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Aldeia Paricachoeira, AM, 1957
Duhigó, cujo nome significa “primogênita” na língua Tukano, é uma expoente das artes visuais contemporâneas e a primeira mulher de sua etnia a se profissionalizar na área. Nascida no Alto Rio Negro (AM), filha de pai Tukano e mãe Dessana, a artista transpõe para as telas a cosmovisão, os rituais e a memória afetiva de seu povo. Fluente em quatro línguas, sua produção é um exercício de resistência e registro da cultura ancestral amazônica sob uma perspectiva feminina e originária.
Com uma carreira consolidada por prêmios e exposições internacionais, Duhigó rompeu fronteiras geográficas e institucionais. Foi a primeira artista indígena do Amazonas a integrar o acervo do MASP, além de possuir obras em coleções de prestígio como a Pinacoteca do Estado de São Paulo. Sua trajetória inclui passagens marcantes pela sede da ONU (Nova York) e sucessivas participações na Bienal Naïfs do Brasil, onde se consagrou como uma das vozes mais relevantes da arte atual.
Em 2023, foi laureada com o Prêmio Funarte Mestra das Artes Visuais e, em 2024, alcançou o ápice do cenário global ao ser convidada para expor na Bienal de Veneza, o evento de arte mais tradicional do mundo. De coleções particulares de figuras como David Beckham a acervos dos principais museus da América Latina, a obra de Duhigó é uma ponte viva entre o cotidiano das nações indígenas e a história da arte universal.